Quando o mundo aprende a sentir junto de entidades alienígenas, a religião da simbiose parece eterna – até que um único rito de Convergência falha e deixa um rastro de casas fossilizadas, naves desistindo do céu e pessoas atravessadas por um branco de 1,03 segundo em que nada sente. Fruto Podre – uma ficção científica biopunk sobre amor, ausência e o fim da simbiose – acompanha Lúcia S. Noronha, condutora marcada por um colar cicatrizado e por um vínculo com Ehr-Zuonn, entidade thar-rhyl que prometia "eternidade sentindo". Ela só queria pertencer a esse Tecnoeterno de carne e circuito; o que recebe é o carimbo de isoladora, a frase que corre pela rede ("ela não transmite… ela desvincula") e o medo de ser, literalmente, a doença que desfaz o elo.
Enquanto vigilância, laboratórios e templos tentam salvá-la, contê-la ou apagá-la, Lúcia atravessa a Rua de Interfaces Rachadas, o Laboratório de Sincronias Perdidas e a Praça onde humanos e thar-rhyl a encaram como um erro vivo, vendo casas com cinco corpos ainda alinhados à mesa e um diário comum pulsando sozinho no centro do luto. Cada passo aumenta o custo: memórias queimam, arquivos negam o próprio passado, cidades inteiras desaprendem gestos simples como respirar fundo ou pedir um pão de queijo. Quando até uma cratera batizada de Semente da Não-Simbiose exibe um abraço humano-thar-rhyl petrificado no instante da ruptura, Lúcia precisa escolher se protege o pacto antigo ou aceita ser o eixo de um mundo que desaprende a depender do elo. Quantos vínculos você aguentaria ver desfeitos para continuar sentindo? Esta é uma leitura sombria, lenta e profundamente psicológica, mais sobre carregar o peso da ausência do que salvar o mundo. Ideal pra quem curte Jeff VanderMeer, Samanta Schweblin e Tade Thompson. Leia o primeiro capítulo.
(ficção científica; ficção científica sombria biopunk; adulto; psicológico e atmosférico)