Partindo do reconhecimento do envelhecimento populacional como um fenômeno global e de seus reflexos no sistema prisional, o estudo propõe compreender como indivíduos na velhice vivenciam o cárcere, considerando suas condições biopsicossociais, relações interpessoais e expectativas de futuro. Nesse contexto, o estudo, de abordagem quanti-qualitativa, foi desenvolvido com pessoas idosas em regime fechado, revelando um perfil marcado por vulnerabilidades sociais, ausência de atividades laborais e socioeducativas, fragilidade nos vínculos familiares e constantes preocupações com a segurança no ambiente prisional. Tais elementos evidenciam a complexidade da experiência do envelhecimento em situação de privação de liberdade. Apesar desse cenário adverso, observa-se a presença de perspectivas positivas quanto ao futuro, uma vez que a maioria dos participantes demonstra acreditar na possibilidade de reconstrução da vida após o cumprimento da pena. Essa aparente contradição revela a coexistência entre vulnerabilidade e resiliência, indicando que, mesmo em condições desfavoráveis, os indivíduos mantêm expectativas de reinserção social. Diante disso, a análise aponta que o ambiente prisional não apenas compromete a qualidade de vida, mas também intensifica o processo de envelhecimento, ao mesmo tempo em que evidencia lacunas nas políticas públicas e na legislação voltadas às especificidades da pessoa idosa no cárcere.